O silêncio sobre a crise no transporte público

O desempenho do ônibus coletivo urbano no Brasil já vinha em queda desde o ano passado, cenário que foi agravado pela Covid-19, gerando a maior crise do setor

“No cenário de tensões econômicas os sistemas de transporte público no Brasil também estão em destaque. Enfrentando sua maior crise, mesmo antes da pandemia, não teve a mesma oportunidade e espaço nos noticiários que o setor automotivo”, lamenta especialista

Após anunciar que encerraria a produção de veículos no Brasil, a Ford pegou muita gente de surpresa. A notícia ganhou destaque em jornais por todo o país, e gerou uma enorme comoção. Seja pelo fato da montadora ter sido a primeira a se instalar no país, ou pelo número de demissões que a decisão irá causar – cerca de cinco mil empregos diretos.

Em artigo publicado no Estadão e também no Linkedin, o Consultor especialista em Mobilidade Urbana e Mobilidade Ativa Rodrigo Tortoriello, debate a maior crise dos sistemas de transporte público no país e faz uma relação com o encerramento da produção de veículos da Ford. Para ele, enquanto o fim das unidades da montadora de veículos ganhou espaços nos principais meios de comunicação, a crise do transporte público, que sem dúvida é muito maior, ainda não encontrou o mesmo eco.

Segundo o autor, o fechamento das montadoras trará sim um impacto na economia do país, pois pode representar o “o início de um processo de desindustrialização do setor automotivo no país“. Porém, ele completa, “no cenário de tensões econômicas os sistemas de transporte público no Brasil também estão em destaque. Enfrentando sua maior crise, mesmo antes da pandemia, não teve a mesma oportunidade e espaço nos noticiários que o setor automotivo“.

Socorro ao transporte coletivo

Rodrigo lembra que a lei de apoio ao setor, aprovada no final de 2020, foi integralmente vetada pelo Presidente da República. “A perda de demanda constante e o modelo de financiamento com base, quase que exclusivamente, na tarifa paga pelo cidadão, formam uma combinação complexa para aqueles que utilizam o transporte público ou, em muitos casos, dependem exclusivamente dele para seus deslocamentos diários. Como a formação da tarifa, normalmente, é o custo total dividido pelos passageiros pagantes, quanto menor o número de clientes maior o preço. Esse ciclo perverso acaba por diminuir ainda mais a quantidade de clientes pagantes no sistema“, diz o especialista no artigo.

O autor lembra ainda que no ano passado “o setor perdeu mais de 70 mil postos de trabalho, cerca de 14 vezes o número de empregos que a Ford estima eliminar com o fechamento das fábricas no Brasil. Segundo dados apresentados pelo levantamento ‘Impactos da Covid-19 no Transporte Público por Ônibus’ da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o setor de transporte público por ônibus apresenta prejuízos da ordem de R$ 9,5 bilhões de reais no período da pandemia em 2020. Os sistemas de transporte sobre trilhos, metrôs, trens e VLTs também agonizam e muitos correm riscos suspender a oferta de serviços“.

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Comunicação GVBus

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